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Programa Água Boa leva dignidade a mais de 40 famílias em Galópolis
Extensão de rede de 2,7 quilômetros começa a ser implantada nesta quarta-feira (14/1)
Quando as máquinas chegarem à Estrada Municipal Ângelo Basso, nesta quarta-feira (14/1), Dirceu de Toni verá o começo da realização de uma luta de 15 anos. Uma extensão de rede de 2,7 quilômetros irá levar água tratada do Sistema Faxinal a mais de 40 famílias de Galópolis. O investimento de R$ 350 mil faz parte do Programa Água, criado para levar o abastecimento aos moradores do interior de Caxias do Sul.
“Se vocês olharem olho no olho, saberão o que é o sofrimento de ficar sem água, principalmente na época da seca. Era criança tomando água contaminada, as fontes contaminadas, mas a gente tomava igual, fazer o quê? A gente botava cloro. Mas, e a quantidade de cloro? Não sou engenheiro químico para saber quanto. Na época da seca o riozinho era um fio de água. Para nós é um presente”, contou De Toni, emocionado, durante a assinatura da ordem de início da obra, na noite de segunda-feira (12), na garagem de sua casa às margens do arroio Pinhal.
O diretor-presidente do Samae, João Uez,
lembrou da reunião realizada há três meses, no mesmo local, para cadastrar os
moradores. “Essa comunidade não esperava água apenas desde outubro. O primeiro
pedido do seu Dirceu foi em 2010. Ninguém merece esperar 15 anos para se ter
água em pleno Século 21. Por isso temos de fazer política públicas voltadas às
pessoas que mais precisam e trazer dignidade”, defendeu.
O grande empecilho à concretização do
sonho do De Toni e seus vizinhos foi removido em julho, com a criação do Água
Boa. Transformado em lei em dezembro, o programa isenta moradores do interior
de arcar com parte dos custos para extensões de rede. “Se não fosse a lei,
esses moradores teriam de pagar R$ 150 mil para ter água, pois embora grudados
na cidade, mas estão no interior”, explicou Uez.
Em seis meses, o Água Boa já contemplou
30 localidades, entre obras entregues e em andamento. O ano de 2025 se encerrou
com mais de 28 quilômetros de redes implantados ou em execução fora do
perímetro urbano.
“O interior nunca tinha recebido um
quilômetro de rede de água. Agora já passamos de 200 quilômetros. Até 2033,
seremos uma das poucas cidades que vai cumprir o marco regulatório do saneamento.
E por isso sempre lutei que o Samae continue sendo empresa pública”, destacou o
prefeito Adiló Didomenico.
Oriundo de Galópolis, o vereador Cláudio
Libardi salientou a importância de o Samae ser de todos os caxienses para
realizar investimentos como esse. “Vocês acham que uma empresa privada
promoveria um investimento de R$ 350 mil, para cobrar depois R$ 38 por mês, se
tivesse por fim o lucro? É importante que mantenhamos o Samae do jeito que ele
está. Uma empresa que completa 60 anos e a cada dia se reinventa”, elogiou
LIbardi, que representou a Câmara na ordem de início. O ato teve também as
presenças do secretário de Trânsito, Transportes e Mobilidade, Elisandro Fiuza;
do presidente da União das Associações de Bairros (UAB), Valdir Walter, e do
vereador Juliano Valim.
Um personagem importante dessa conquista
foi lembrado em todos os pronunciamentos. Adiló, Uez, Libardi e De Toni
destacaram o papel do subprefeito de Galópolis José Antônio Dapont. O “Galo”,
como é conhecido, um dia encontrou um morador recém saído do mato em busca de
uma vertente de água. “Parecia que tinha brigado com uma onça”, conta. Dentro
de 60 dias, esforços como esse serão, definitivamente, histórias do passado.